Como Escolher o Destino Ideal para Seus Estudos no Exterior
Gostamos de imaginar que existe, em algum lugar, o destino ideal para estudar fora: um país que seria objetivamente o melhor, identificável por rankings, tabelas de custo de vida e listas de melhores cidades para estudantes. É uma esperança compreensível, sobretudo de quem está p


Gostamos de imaginar que existe, em algum lugar, o destino ideal para estudar fora: um país que seria objetivamente o melhor, identificável por rankings, tabelas de custo de vida e listas de melhores cidades para estudantes. É uma esperança compreensível, sobretudo de quem está prestes a decidir e teme errar. E, no entanto, ela parte de um equívoco antigo e gentil: o de que a escolha de um lugar seja um problema de informação, quando é, quase sempre, um problema de autoconhecimento.
1. O ranking e a sua promessa silenciosa
Os rankings nos seduzem porque prometem poupar-nos do peso de decidir. Se há uma lista, há uma resposta; se há uma resposta, não há culpa. E, no entanto, nenhum índice sabe se precisamos de sol ou de inverno para estudar, se floresceremos numa cidade enorme ou numa pequena, se nos faz bem a pressa ou o silêncio. A pergunta verdadeira, quase nunca formulada, não é qual o melhor país, mas que tipo de gente nos tornamos em cada lugar.

2. Maiorca, por volta de 1375
Convém aqui um pequeno desvio pelo mar. Por volta de 1375, na ilha de Maiorca, um cartógrafo chamado Abraham Cresques desenhou aquilo que ficaria conhecido como o Atlas Catalão, reunindo num só pergaminho o que sabiam pilotos, mercadores e viajantes sobre costas, portos e ventos. Seus mapas, os chamados portolanos, não eram retratos do mundo visto do alto, pois ninguém o vira assim; eram a soma paciente de muitas viagens alheias, de relatos trazidos de volta por quem se arriscara antes. Escolher um destino se parece com ler um desses mapas: confiamos, em parte, na experiência de quem foi adiante de nós, sabendo que nenhum mapa substitui o ato de partir.
3. O destino como espelho
Disso decorre uma inversão útil. Em vez de perguntar onde está o melhor ensino, talvez valha perguntar o que cada lugar pede de nós, e o que nele tememos. A cidade grande oferece anonimato e abundância, mas cobra autonomia; a cidade pequena oferece pertencimento, mas pede paciência com o tédio; o país de idioma difícil promete uma transformação mais funda, ao custo de meses de solidão linguística. Não há, em nada disso, escolha sem perda, e a maturidade começa, talvez, quando deixamos de procurar a opção sem renúncia.

4. A decisão modesta
E há um alívio nisso, quando se aceita. Livres da fantasia do destino perfeito, podemos escolher com mais honestidade: a partir de quem somos, do que podemos pagar, da vida que temos razões para querer, e não da que rende a melhor fotografia. Uma boa decisão raramente é a mais brilhante; costuma ser, mais discretamente, a mais nossa.
E é talvez assim, sem a ilusão de um ranking que decida por nós, que valha a pena escolher para onde partir: ouvindo os que foram antes, sem lhes entregar a decisão; aceitando que todo lugar concede e cobra; e confiando que o destino certo não é o mais admirado, mas aquele onde, com alguma paciência, nos tornamos um pouco mais inteiros num lugar.


