O Executivo Sem Fronteiras: Mobilidade Internacional Para Líderes Sêniores
Há um pudor particular que acomete o profissional sênior diante da ideia de recomeçar lá fora, e seria injusto chamá-lo de orgulho; é antes o receio, muito humano, de trocar uma posição conquistada por uma cadeira incerta. Quanto mais alto se chega, mais pesada parece a queda ima

Há um pudor particular que acomete o profissional sênior diante da ideia de recomeçar lá fora, e seria injusto chamá-lo de orgulho; é antes o receio, muito humano, de trocar uma posição conquistada por uma cadeira incerta. Quanto mais alto se chega, mais pesada parece a queda imaginada, e por isso o executivo, que decide o dia inteiro, costuma adiar a única decisão que é só sua.
Em 1528, Baldassare Castiglione, diplomata italiano a serviço de pequenas cortes, publicou um livro sobre como o cortesão deveria portar-se, e batizou de sprezzatura a arte de fazer o difícil parecer natural. A lição que dele tomamos não é a da aparência, mas a do preparo: a naturalidade do experiente costuma ser o disfarce de um longo trabalho. Mobilidade executiva, propriamente entendida, é menos uma vaga e mais um posicionamento paciente.

A pauta trata disso com a seriedade que o público merece. A construção de uma tese de valor internacional, o uso sóbrio de board e advisory, a negociação de um pacote de relocação, e a reversibilidade pensada para quem tem muito a perder. O que um líder carrega para outro país não é o cargo antigo, e sim a autoridade serena de quem já soube conduzir.
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