Voltar ao hub
Olcan Blog30 de agosto de 20262 minRevisado em 31 de agosto de 2026

No TikTok, aprendi que uma decisão pequena podia virar o mundo inteiro

No TikTok, aprendi que uma decisão pequena podia virar o mundo inteiro Costumamos imaginar que uma carreira internacional exige, antes de tudo, um avião. Pensamos em mudança, em mala, em fronteira, em carimbo no passaporte. É uma imagem antiga e ainda...

Ciro Moraes dos Reis
Ciro Moraes dos Reis
Fundador · Olcan
No TikTok, aprendi que uma decisão pequena podia virar o mundo inteiro

No TikTok, aprendi que uma decisão pequena podia virar o mundo inteiro

Costumamos imaginar que uma carreira internacional exige, antes de tudo, um avião. Pensamos em mudança, em mala, em fronteira, em carimbo no passaporte. É uma imagem antiga e ainda verdadeira em parte, mas incompleta. Porque uma das experiências mais internacionais da minha vida aconteceu sem que eu saísse do Brasil, sentado diante de uma tela, num cargo de confiança e segurança numa plataforma usada por milhões de pessoas.

Trabalhei, durante alguns anos, articulando parcerias entre uma grande empresa de tecnologia e o mundo de fora dela: pesquisadores, organizações da sociedade civil, jornalistas, especialistas. E foi ali, num período eleitoral tenso, lidando com desinformação e discurso de ódio, que entendi algo que nenhum curso havia me ensinado. Uma decisão tomada numa sala, sobre uma regra aparentemente pequena, podia tocar a vida de gente em muitos países ao mesmo tempo.

Havia, naquilo, uma vertigem e uma responsabilidade. A vertigem de perceber a escala. A responsabilidade de saber que, por trás de cada métrica, havia criadores, eleitores, adolescentes, famílias, instituições frágeis. O painel mostrava números. Mas os números, propriamente entendidos, eram pessoas.

Hannah Arendt, a pensadora que em meados do século passado escreveu sobre o espaço público e sobre como o mal, muitas vezes, se instala não pela maldade, mas pela ausência de pensamento, ajudou-me a nomear o que eu sentia. Há algo de consolador e ao mesmo tempo grave nessa ideia. As decisões mais perigosas raramente são monstruosas. São, com frequência, apenas apressadas, irrefletidas, tomadas sem que ninguém parasse para imaginar o rosto do outro lado.

Foi essa, talvez, a lição mais durad'oura daquele tempo. A carreira internacional contemporânea não se mede apenas por onde moramos, mas pela escala dos problemas que aprendemos a carregar. Saber ler o Brasil, com sua criatividade e sua desigualdade, virou uma competência global. Saber traduzir esse país para uma organização estrangeira, e a organização de volta para o país, virou uma forma de pertencer a dois mundos sem trair nenhum.

Essa ampliação do imaginário importa para quem sonha em trabalhar com o mundo. Nem todos podem, ou querem, mudar de país agora. Mas muitos podem, a partir de onde estão, participar de redes internacionais, atuar em organizações globais, melhorar o inglês funcional, oferecer ao mundo uma leitura que só o Sul Global possui. A mobilidade nem sempre é geográfica. Às vezes é simbólica: ser lido, ouvido e levado a sério em conversas que antes aconteciam sem nós.

Quando hoje penso naquele período, não guardo sobretudo os títulos nem os relatórios. Guardo a consciência de que toda escala grande é feita de gestos pequenos, e que a integridade de uma decisão se mede pela quantidade de gente invisível que ela foi capaz de levar em conta.

E talvez seja essa a forma mais sóbria de pensar uma carreira global no nosso tempo: não como a conquista de um lugar mais alto, mas como o cuidado paciente com as consequências daquilo que fazemos, mesmo quando elas acontecem longe dos nossos olhos, do outro lado de uma tela.

#Olcan Blog
Consultoria

Plano personalizado

Converse com um especialista para transformar dúvidas em próximos passos.

Agendar diagnóstico

Newsletter

Conteúdo no e-mail

Mobilidade internacional, sem ruído.

Substack

Continue lendo