As Habilidades Que Mais Pesam na Mobilidade Internacional
Na mobilidade internacional, habilidades como adaptação, comunicação e aprendizado rápido pesam tanto quanto currículo.

Imaginamos as habilidades essenciais como conteúdo a adquirir: um curso a concluir, um certificado a exibir, um vídeo a assistir, ao fim do qual passaríamos, num passe de mágica, a saber fazer. E, quando não conseguimos, recorremos à explicação mais antiga e mais consoladora, a do talento: ou se nasce com o dom, ou não se nasce. E, no entanto, ambas as ideias, a do conteúdo e a do dom, erram o essencial sobre como, de fato, nos tornamos capazes de algo.
1. O engano do saber sem o fazer
Há um abismo, raramente confessado, entre compreender e conseguir. Podemos entender perfeitamente como se nada, como se fala em público ou como se conduz uma reunião difícil, e ainda assim afundar, gaguejar ou travar quando chega a hora. O conhecimento é necessário, mas não basta; a habilidade vive no corpo e no hábito, não apenas na cabeça. Confundir ter lido sobre algo com saber fazê-lo é o equívoco silencioso de muita gente bem-informada e pouco capaz.
2. Aristóteles e a virtude como hábito
Vale recordar um filósofo grego. Por volta de 340 antes de nossa era, Aristóteles observou, em sua ética, que as coisas que precisamos aprender a fazer, aprendemo-las fazendo: tornamo-nos construtores construindo e músicos tocando, e do mesmo modo nos tornamos justos praticando atos justos. A excelência, dizia ele, não é um ato isolado, mas um hábito, aquilo que chamava de hexis, uma disposição firme do caráter formada pela repetição paciente. Não se nasce capaz; torna-se capaz, e o caminho é sempre a prática, repetida até virar segunda natureza.

3. A repetição como mestra
Disso decorre um método humilde e quase infalível. Desenvolver uma habilidade essencial é menos uma questão de informação do que de reincidência: fazer, errar, corrigir e fazer de novo, dia após dia, até que o difícil se torne possível e o possível se torne fácil. As primeiras tentativas serão sempre desajeitadas, e isso não é sinal de inaptidão, mas a forma normal de todo começo. Quem se permite ser desajeitado por tempo suficiente acaba, quase sempre, competente.
4. A escolha do que cultivar
E há, nisso, uma boa notícia para quem teme não ter nascido talentoso. Se a habilidade se constrói pela prática, então está, em larga medida, ao alcance da nossa vontade, e não da nossa sorte de berço. Resta escolher bem o que cultivar, pois o tempo é finito e não dá para praticar tudo; mas, escolhido o essencial, o resto é menos uma questão de dom do que de constância. Quem nasce sem privilégios herda, ao menos, esta justiça: a de que o esforço repetido também ensina.

E é talvez por isso que vale a pena buscar desenvolver as habilidades essenciais sem esperar nem o atalho do conteúdo nem o presente do talento: não acumulando saberes que não viram prática, mas repetindo, com paciência desajeitada, os gestos que aos poucos se tornam nossos; pois ninguém nasce sabendo, e o que separa o capaz do incapaz raramente é o dom, e quase sempre o paciente domínio.
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