Voltar ao hub
Olcan Blog30 de agosto de 20262 min

Aprendi a liderar antes de saber o que era liderança

Aprendi a liderar antes de saber o que era liderança Imaginamos que a liderança chega depois: depois do diploma, depois da experiência, depois de um curso que finalmente nos autorize a conduzir outras pessoas. É uma crença organizada, quase burocrática, e...

Ciro Moraes dos Reis
Ciro Moraes dos Reis
Fundador · Olcan
Aprendi a liderar antes de saber o que era liderança

Aprendi a liderar antes de saber o que era liderança

Imaginamos que a liderança chega depois: depois do diploma, depois da experiência, depois de um curso que finalmente nos autorize a conduzir outras pessoas. É uma crença organizada, quase burocrática, e talvez por isso falsa. Porque a primeira vez que precisei liderar de verdade, ainda muito jovem, numa organização estudantil em Salvador, eu não tinha credencial alguma. Tinha apenas um grupo de pessoas, um objetivo maior do que nós e a sensação nítida de não saber o que estava fazendo.

Foi na AIESEC, entre 2010 e 2013, que tropecei nesse aprendizado. Não havia ali salário, hierarquia rígida nem poder de mandar. Havia voluntários, que podiam ir embora a qualquer momento, e que só permaneciam se o trabalho fizesse sentido. Liderar, naquele contexto, não era dar ordens. Era criar razões para que as pessoas escolhessem ficar.

Descobri, da pior maneira, que o cargo não produz autoridade. Eu tinha o título e, mesmo assim, via gente desanimar, faltar, desistir. Aprendi que a única liderança real é a que se conquista no varejo do dia a dia, conversa a conversa, exemplo a exemplo, confiança a confiança.

Sêneca, o filósofo romano que por volta do ano 64 escrevia cartas a um amigo mais jovem, dizia que aprendemos ensinando. Há algo de consolador nessa ideia, sobretudo para quem se vê numa posição de responsabilidade antes de se sentir pronto. Talvez ninguém esteja, de fato, pronto. Talvez a preparação e o exercício aconteçam ao mesmo tempo, e quem espera estar inteiramente apto antes de começar acabe nunca começando.

Essa é, talvez, a confusão mais comum de quem deseja crescer profissionalmente. Acreditamos que existe uma ordem natural: primeiro a competência completa, depois a responsabilidade. Mas a vida raramente respeita essa sequência. Quase sempre a responsabilidade chega antes, grande demais para o nosso preparo, e é justamente carregando-a, com medo e com cuidado, que nos tornamos capazes dela.

O que aprendi naquela organização estudantil me serviu, depois, em todos os ambientes por onde passei, inclusive os internacionais. Entendi que coordenar pessoas de culturas diferentes, mais tarde, não era tão distinto de coordenar voluntários numa sala em Salvador. Em ambos os casos, a pergunta de fundo era a mesma: por que alguém deveria oferecer o melhor de si a um projeto que não é obrigado a abraçar.

Quando hoje converso com jovens que esperam o momento certo para assumir a frente de alguma coisa, ofereço um conselho contra a própria prudência deles. Não esperem se sentir prontos. Comecem pequeno, errem cedo, lid'erem antes de ter certeza, porque é esse o único jeito conhecido de aprender o ofício.

E talvez seja essa a lição mais antiga sobre conduzir pessoas: a de que a autoridade verdadeira não é concedida por um título nem garantida por um diploma, mas construída, devagar, no terreno modesto da confiança cotidiana, esse material frágil de que são feitas, no fundo, todas as lideranças que duram.

#Olcan Blog
Consultoria

Plano personalizado

Converse com um especialista para transformar dúvidas em próximos passos.

Agendar diagnóstico

Newsletter

Conteúdo no e-mail

Mobilidade internacional, sem ruído.

Substack

Continue lendo